Biblioteca Científica
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Fatores relacionados à adoção de práticas de manejo em sistemas agroflorestais sucessionais na região norte de Mato Grosso
As agroflorestas são consideradas uma das mais completas formas de ocupação do solo devido, principalmente, ao potencial de conciliar produção de alimentos e preservação da biodiversidade. Entretanto, ainda existem grandes lacunas no conhecimento para o fortalecimento desta técnica, especialmente tratando-se de agroflorestas sucessionais e com alta diversidade de espécies. A presente pesquisa procurou identificar, por meio de entrevistas, os fatores relacionados à adoção de práticas de manejo de agroflorestas em um grupo de 50 agricultores no município de Nova Guarita, MT. Todos começaram a plantar agrofloresta a partir de 2010. Os resultados indicam que a adoção das práticas de manejo relacionou-se principalmente aos objetivos do plantio, além de questões ligadas aos valores e experiências anteriores dos agricultores com sistemas diversificados de produção. As condições concretas existentes nas propriedades, com relação à mão de obra, comercialização de produtos e capacitação também se relacionaram ao manejo.
Who Counts Resilience and Whose Resilience Counts? Applying the Resilience Alliance Workbook
A Amazônia brasileira é um sistema socioecológico complexo, cujo manejo envolve diversos grupos de atores sociais, cujos valores e interesses influenciam a tomada de decisão e seus resultados. Esse manejo requer lideranças capazes de compreender os múltiplos sistemas de conhecimento e as trajetórias históricas de ocupação da terra que moldaram a região. Vinte e três líderes emergentes de universidades, agências governamentais, setor privado e organizações de movimentos sociais participaram de um Curso de Especialização de dois anos no estado de Mato Grosso, Brasil. Os participantes aplicaram o Resilience Assessment (RA) Workbook for Practitioners para analisar três subsistemas de meios de vida no município de Cotriguaçu. Este artigo apresenta reflexões sobre a utilidade do RA como ferramenta para integrar conhecimentos, identidades, relações de poder e interesses de múltiplos atores em processos colaborativos de gestão socioecológica. Nossa experiência evidencia os riscos da condução de avaliações de resiliência lideradas por especialistas em regiões marcadas por legados históricos de opressão, instituições frágeis e governança limitada.
Effect of Amazonian tree species on soil and pasture quality in silvopastoral systems
Com a expansão da pecuária na região amazônica, um alto percentual de pastagem está degradada e improdutiva. São necessárias novas estratégias, incluindo o uso de espécies de árvores nativas, para obter simultaneamente benefícios econômicos e ecossistêmicos. Este estudo objetivou avaliar os efeitos de cinco espécies arbóreas nativas multifuncionais na fertilidade do solo e qualidade da forragem em pastagens de Urochloa brizantha na Amazônia Meridional. Para isso, amostras de solo e forragem foram coletadas sob a copa e áreas adjacentes de 25 árvores isoladas pertencentes a cinco espécies durante uma estação seca e uma chuvosa. A presença de árvores nativas afetou positivamente o nível de potássio, calcio e magnésio no solo, bem como aumentou a matéria mineral e proteína bruta da forragem, especialmente na estação seca, sugerindo um efeito protetivo contra a seca sazonal. As espécies arbóreas tiveram efeitos variáveis sobre a fertilidade do solo e qualidade da forragem. O solo sob Apeiba tibourbou apresentou aumento nos teores de potássio, enquanto a forragem sob Handroanthus serratifolius apresentou melhor qualidade no que se refere a proteínas e fibras. Nosso estudo indica a importância da diversificação dos sistemas silvipastoris na Amazônia por meio do uso de espécies arbóreas nativas, contribuindo para o desenho de estratégias silvipastoris inovadoras na região. Espécies arbóreas multifuncionais comuns de ampla distribuição natural podem ser utilizadas como um aspecto complementar do manejo de pastagens para fornecer um efeito protetivo contra a seca, aprimorar a ciclagem de nutrientes e aumentar a qualidade da forragem.
Conhecimento local de agricultores familiares sobre árvores nativas em pastagens do Portal da Amazônia, MT
A pecuária extensiva é uma das principais causas de desmatamento e perda de biodiversidade em regiões de fronteira agrícola como o Portal da Amazônia, região Norte de Mato Grosso. A pré-disposição de agricultores em incluir árvores em pastagens depende de sua percepção positiva sobre elas, e pode subsidiar a construção de novos sistemas produtivos, que melhorem estrutural e funcionalmente a paisagem da região. Estudamos a percepção de 39 agricultores familiares, de quatro municípios da região do Portal da Amazônia, sobre os benefícios das árvores em pastagens, avaliando seu potencial para sistemas silvipastoris. Realizamos a caracterização de pastagens sombreadas, o levantamento das espécies arbóreas nativas e o registro e avaliação do conhecimento e percepção dos agricultores sobre elas. Conduzimos oficinas comunitárias para definição de espécies arbóreas consideradas chave, sua caracterização dendrométrica e levantamento bibliográfico sobre o potencial em sistemas silvipastoris. A avaliação das pastagens apontou predomínio de espécies de braquiária (Urochloa spp.) e baixa adoção de práticas de manejo. Mapeamos 1875 árvores (com densidade entre 0,29 e 45,8 indivíduos/hectare) e identificadas 129 espécies. As principais motivações dos agricultores para manter árvores nas pastagens foram o fornecimento de sombra para os animais (94,8%), melhoria do solo (69,2%) e geração de renda com sementes (25,6%). As espécies de maior interesse foram Samanea tubolosa, Handronthus serratifolius, Apeiba tibourbou, Maclura tinctoria e Platymiscium floribundum. Os resultados apontam possibilidades para o uso de espécies arbóreas nativas em pastagens, contribuindo com a reintrodução do componente arbóreo e da biodiversidade nativa em sistemas produtivos. Demonstram o potencial de sistemas silvipastoris com espécies arbóreas nativas como alternativas aos modelos convencionais de produção na região, contribuindo com uma nova forma de se compreender os sistemas pecuários e com o desenvolvimento local e regional no Portal da Amazônia.
Manejo de Árvores Nativas em Sistemas Silvipastoris
Quando pensamos na presença de árvores nos pastos normalmente o primeiro aspecto que chama a nossa atenção é a importância para o bem-estar animal. De fato, a sombra propiciada pelas árvores é a sombra de melhor qualidade que podemos oferecer aos animais pois é capaz não apenas de bloquear a radiação direta proveniente do sol, como também melhorar outros aspectos do microclima pela evaporação da água oriunda da transpiração das folhas, gerando uma sensação de conforto térmico aos animais que poderá se traduzir em maior eficiência produtiva. No entanto, este é apenas um dos aspectos que podemos aproveitar das árvores no chamado “ecossistema pastagem”. Podemos pensar na incorporação de árvores nas pastagens para otimizar a produção e qualidade da forragem, potencializar a fertilidade do solo, melhorar a nutrição animal e incrementar qualidade ambiental, seja no nível local, seja na escala de paisagem.
Manual para "Planejamento de Projetos de Manejo Rotacionado e Sistemas Silvipastoris"
Este material tem como foco servir como base apoio para atividades de capacitação de técnicos e estudantes interessados na transição agroecológica dos sistemas de produção de gado de corte e leite. Foi gerado pela parceria entre o Instituto Ouro Verde e o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agricultura Familiar e Agroecologia (NAFA) da Universidade do Estado de Mato Grosso, contando ainda com apoio da Universidade de Exeter através de recursos do GCRF (Global Challenges Research Fund) e projeto CASPER (Carbon Storage in Pasture through Ecological Restoration) que permitiram desenvolver atividades de apoio a agricultores familiares no norte de Mato Grosso e pesquisas envolvendo sistemas silvipastoris com espécies nativas.