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Beyond the shade: Family farmers’ perceptions of silvopastoral systems in the Amazon
Este estudo exploratório examina os esforços de agricultores familiares na Amazônia brasileira para estabelecer sistemas silvipastoris que integram árvores, pastagens e gado na mesma área. Esses sistemas oferecem uma alternativa às práticas convencionais de criação de gado, que permanecem como a principal fonte de renda para muitas famílias empobrecidas, mas que também são importantes vetores de degradação ecológica, com impactos climáticos de grande alcance em nível regional e global. Utilizando uma abordagem qualitativa de estudo de caso, conduzimos entrevistas em profundidade com 17 famílias de pequenos produtores que vivem em zonas de rápida expansão da soja, a fim de identificar os fatores que favorecem e limitam a adoção de sistemas silvipastoris. Nossa análise destaca seis questões que emergiram dos relatos dos agricultores: a predominância cultural da agricultura de monocultura; as experiências com problemas ecológicos associados à agricultura convencional; as alternativas comunitárias às práticas agrícolas dominantes; as relações entre agricultores e técnicos envolvidos na implementação dos sistemas silvipastoris; os conhecimentos emergentes dos agricultores sobre dinâmicas ecológicas e sistemas pecuários biodiversos; e os limites materiais dessas inovações. Em conjunto, esses resultados sustentam quatro argumentos principais relevantes para os esforços de construção de alternativas aos sistemas de produção de alimentos ambientalmente degradantes. Primeiro, padrões históricos de ocupação, a exclusão socioeconômica de longa duração e a predominância cultural da agricultura convencional continuam a manter muitos pequenos produtores vinculados aos sistemas pecuários convencionais, apesar de sua viabilidade ecológica e econômica decrescente. Segundo, redes comunitárias e iniciativas de organizações não governamentais (ONGs), fundamentadas na pedagogia participativa freireana, podem criar oportunidades para cooperação, aprendizagem dialógica e produção de conhecimentos silvipastoris contextualizados. Terceiro, essas relações sociotécnicas fomentam novas práticas por meio das quais os agricultores passam a revalorizar a biodiversidade como um ativo tanto ecológico quanto econômico.. Quarto, a adoção de sistemas silvipastoris ainda é limitada pelas demandas de trabalho, pelas exigências de conhecimento e habilidades, e pelas condições ambientais iniciais que retardam o estabelecimento desses sistemas.
Manejo de Árvores Nativas em Sistemas Silvipastoris
Quando pensamos na presença de árvores nos pastos normalmente o primeiro aspecto que chama a nossa atenção é a importância para o bem-estar animal. De fato, a sombra propiciada pelas árvores é a sombra de melhor qualidade que podemos oferecer aos animais pois é capaz não apenas de bloquear a radiação direta proveniente do sol, como também melhorar outros aspectos do microclima pela evaporação da água oriunda da transpiração das folhas, gerando uma sensação de conforto térmico aos animais que poderá se traduzir em maior eficiência produtiva. No entanto, este é apenas um dos aspectos que podemos aproveitar das árvores no chamado “ecossistema pastagem”. Podemos pensar na incorporação de árvores nas pastagens para otimizar a produção e qualidade da forragem, potencializar a fertilidade do solo, melhorar a nutrição animal e incrementar qualidade ambiental, seja no nível local, seja na escala de paisagem.